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Conteúdo profundo no marketing jurídico: um ajuste de rota em curso?

26 de janeiro de 2026

Por muito tempo, o marketing, inclusive no setor jurídico, operou a partir de uma premissa dominante: as pessoas não têm mais tempo, foco ou paciência para conteúdo profundo e longo. O consumo seria rápido, fragmentado e guiado por estímulos constantes. Essa leitura ajudou a moldar estratégias mais ágeis, formatos curtos e comunicações objetivas.

Essa lógica não deixa de ser válida. Mas começa a mostrar sinais de desgaste.

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Relatórios recentes de comportamento do consumidor, como o estudo de tendências da WGSN para 2026, indicam um movimento relevante: não exatamente um retorno ao “longo”, mas uma revalorização da atenção, da escolha e da profundidade quando há propósito. O relatório aponta que, em um cenário de excesso de estímulos, ruído informacional e fadiga digital, o tempo e o foco passam a ser tratados como recursos escassos e valiosos.

Isso ajuda a explicar um paradoxo que começa a aparecer com mais frequência. As pessoas continuam consumindo conteúdos rápidos, mas escolhem com muito mais critério onde investir atenção prolongada. Não se trata de paciência infinita, mas de intenção.

O que podemos levar disso?

No contexto jurídico, esse movimento merece atenção. Diferentemente de outros setores, o cliente de serviços jurídicos não busca entretenimento. Ele busca compreensão, segurança e redução de risco. Quando encontra um conteúdo que organiza um tema complexo, responde a dúvidas reais e oferece clareza, a disposição para dedicar mais tempo aumenta.

O relatório da WGSN reforça essa lógica ao apontar o chamado “privilégio digital”. É a ideia de que escolher quando, onde e com o que se engajar se torna um símbolo de controle e sofisticação. Em outras palavras, não estar em todos os lugares o tempo todo passa a ser um valor. Esse comportamento abre espaço para conteúdos mais densos, desde que sejam relevantes, bem estruturados e respeitosos com o tempo do leitor.

Isso não significa abandonar formatos curtos, posts diretos ou comunicações objetivas. Eles continuam essenciais como porta de entrada, alerta ou contextualização. O ponto de atenção está na ideia de que tudo precisa ser rápido, quando, na prática, nem toda decisão importante é tomada com pressa.

Para escritórios de advocacia, conteúdos mais aprofundados podem cumprir funções estratégicas claras. Eles filtram público, fortalecem a percepção de autoridade e constroem confiança ao longo do tempo. Não necessariamente performam em alcance imediato, mas atuam na reputação e na consolidação da marca.

Veja aqui um texto completo sobre Marketing de Conteúdo.

O que parece estar em curso não é uma ruptura, mas um ajuste. Menos volume automático, mais intenção. Menos produção por obrigação, mais conteúdo que resolve, explica e orienta.

Se essa tendência vai se consolidar, ainda é cedo para afirmar com certeza. Mas os sinais apontam para um cenário em que explicar bem, com calma e clareza, volta a ser um diferencial competitivo, especialmente em mercados complexos como o jurídico.

Adaptar-se a esse movimento não é negar o que foi feito até aqui. É reconhecer que o comportamento do público muda, e que estratégias sólidas também precisam evoluir.

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